Watchmen (Abril) foi publicado numa minissérie em seis edições, entre novembro de 1988 e abril de 1989, com 68 páginas em cada edição, formato americano (17 x 26 cm), colorido, lombada com grampos e preço de capa Cz$ 950,00. Escrita por Alan Moore, com arte de Dave Gibbons e cores de John Higgins, foi publicada originalmente em doze edições mensais pela DC Comics nos Estados Unidos, entre setembro de 1986 e outubro de 1987.
Moore considerou escrever uma história remodelando os heróis da Charlton Comics, recém adquiridos pela DC, assim como fez com Miracleman em 1982. O editor Dick Giordano foi receptivo ao projeto, mas sem usar os personagens da Charlton, ao invés disso, convenceu Moore a retrabalhar o projeto com personagens inéditos.
Parece clichê, mas realmente Watchmen ganha mais valor e significado a cada leitura, principalmente para quem viveu o medo de uma catástrofe nuclear em 1985 no contexto da Guerra Fria. Minha primeira leitura foi incompleta, quando comprei a primeira revista da minissérie em seis edições da Editora Abril. Confesso que, na época com 13 anos, não gostei da obra por achar os desenhos feios – não era parecido com John Byrne ou George Pérez (risos) – e com certeza não entendi os problemas éticos e psicológicos dos heróis. Uma blasfêmia, eu sei.
A Abril publicou Watchmen novamente em 1989 (edição encadernada) e 1999 (minissérie em doze edições). A Via Lettera publicou Watchmen em 2005 (minissérie em oito edições). A Panini publicou Watchmen: Edição Definitiva, com 464 páginas, em 2009, 2011 e 2017. Também em 2009, a Panini publicou Watchmen: Especial dividido em duas edições.
Só em 2006, com a versão encadernada de 1989 da Abril, fiz minha segunda leitura de Watchmen. Aí a porra ficou séria! (risos). Finalmente eu seria iluminado pela luz do bruxo Alan Moore. Então vieram várias leituras quando comprei a Edição Definitiva da Panini. Como já havia devorado os livros de Will Eisner e Scott McCloud sobre a linguagem dos quadrinhos, fiquei alucinado com a qualidade do roteiro e da narrativa da melhor história em quadrinhos de super-heróis de todos os tempos.
Relendo Watchmen (com spoilers):
- Muitos elogiam Watchmen chamando seus enquadramentos de cinematográficos, mas isso é pouco, pois são enquadramentos possíveis apenas nos quadrinhos. Moore e Gibbons “abusam” dos recursos narrativos que só essa mídia pode oferecer. Uma escolha interessante de Moore foi narrar toda a história sem balões de pensamentos e onomatopéias, assim, passando uma sensação maior de verossimilhança com a nossa realidade. As páginas formatadas com nove quadros (nine-grid), muito recorrente em Watchmen, segundo Moore, foram copiadas da obra de Steve Ditko.
- Logo no primeiro capítulo, Moore nos apresenta o mundo de Watchmen com muita informação visual em cada quadro, intercalando com o texto do diário de Rorscharch. Moore já prende nossa atenção com uma questão bem simples: quem matou o Comediante? Muito satisfatório perceber, apenas em uma página, que a máscara de Rorscharch não é estática, tem manchas em constante movimento.
- É genial a forma de como informações que parecem banais ou sem importância se tornam relevantes para o entendimento mais adiante na história. Por exemplo, a identidade de Rorscharch, anônima para o leitor, está revelada desde o início, mas só conseguimos perceber bem depois. Mesmo sendo uma pessoa “quebrada”, nos apegamos ao Rorscharch por ele ser uma espécie de narrador.
- As cores de John Higgins são determinantes para determinarmos o tempo, como exemplo, os tons de vermelho nos flashbacks. O Dr. Manhattan, o único com superpoderes nesse mundo, sempre desenhado e colorido de forma diferente, pois não tem sombras, como se emitisse a própria luz. Notamos muitos fatos nos quadros ocorrendo também em segundo plano.
- Moore usa a simbologia do “relógio do apocalipse” para nos remeter ao medo real que a sociedade americana tinha de um conflito nuclear. O conto do "Cargueiro Negro", uma metalinguagem do próprio enredo de Watchmen, foi inserido como gibis nesse universo. Moore nos apresenta como é a geopolítica desse mundo em jornais espalhados em diversos quadros da HQ.
- Ao apresentar o Coruja, percebemos que heróis fantasiados são ilegais, o vigilantismo é punido com prisão. Outra novidade para quadrinhos de super-heróis é mostrar os personagens desnudos, sem pudores, e totalmente naturais dentro da história. Rorscharch, buscando informações sobre o assassinato do Comediante, agride criminosos com extrema violência (tortura) e isso não funciona.
- Adrian Veidt, o Ozymandias, é um empresário frio, calmo, calculista e o único que não fica desconfortável diante de Rorscharch e não se importa com a morte do Comediante, segundo ele, um nazista.
- No final dos capítulos, temos textos do livro “Sob o Capuz” escrito por Hollis Mason, o primeiro Coruja, que traz informações sobre a primeira geração de vigilantes e enriquece bastante esse mundo de Watchmen.
Francinaldo Santos.

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