A Teia do Aranha n° 1 (1989, Abril)


A Teia do Aranha n° 1 (Abril) foi publicada em outubro de 1989, com 68 páginas, formato magazine (21 x 27,5 cm), colorido, lombada com grampos e preço de capa NCz$ 10,00. O título A Teia do Aranha (1989-2000, Abril) teve 129 edições e se caracterizava por republicar histórias clássicas do Homem-Aranha. Esta edição n° 1 reuniu três revistas originais da americana Marvel Comics: 
  • “Entra Em Cena: Dr. Octopus”, com roteiro de Stan Lee e desenho de John Romita, foi publicado originalmente em The Amazing Spider-Man n° 53 (1967). O Homem-Aranha precisa vencer o Dr. Octopus. Mas como fazê-lo se, por uma ironia do destino, a ingênua tia do herói alugou um quarto para o velhaco em sua própria casa? Como nosso herói vai derrotá-lo sem pôr em risco a vida de Tia May? 20 páginas. 
  • “Os Tentáculos e a Armadilha!”, com roteiro de Stan Lee e desenho de John Romita, foi publicado originalmente em The Amazing Spider-Man n° 54 (1967). Esta história marcou a primeira aparição de Robbie Robertson, o editor boa-praça. 20 páginas. 
  • “A Vitória do Dr. Octopus”, com roteiro de Stan Lee e desenho de John Romita, foi publicada originalmente em The Amazing Spider-Man n° 55 (1967). O Homem-Aranha está enfurecido e busca o escalpo do Dr. Octopus, que quase matou a tia do nosso herói. Mas quando tudo parecia perdido para o vilão, surge um incrível golpe de sorte. 20 páginas. 

Quadrinhos e Arte Sequencial (1989, Martins Fontes)


Quadrinhos e Arte Sequencial (1989, Martins Fontes) é a primeira publicação dessa obra no Brasil. Originalmente publicada em Comics and Sequential Art (1985, Will Eisner), tem uma versão revisada, lançada postumamente nos EUA em 2008, foi lançada aqui no Brasil em 2014, também pela Martins Fontes. 

Will Eisner é um dos artistas americanos mais importantes do Século XX, um pioneiro no campo das histórias em quadrinhos. Neste livro clássico, ele condensa a arte de contar uma história em quadrinhos em princípios claros e concisos que todo fã de HQs, quadrinista, cartunista, roteirista ou cineasta devem conhecer. 

Baseado no concorrido curso que Eisner ministrou por muitos anos na School of Visual Arts de Nova York, o livro “Quadrinhos e Arte Sequencial”, desenvolvido para servir de guia prático para o estudante, o profissional e o professor de artes gráficas, é um trabalho essencial, repleto de valiosas teorias e técnicas fáceis de serem aplicadas. 

“Eisner revela nesta obra os fundamentos das histórias em quadrinhos: ele aborda diálogo, anatomia, enquadramento e muitos outros aspectos importantes da nona arte. Fiquei bastante empolgado com os ensinamentos que o mestre da narrativa gráfica, Will Eisner, nos passa generosamente. Foi umas das leituras mais prazerozas sobre quadrinhos que fiz recentemente, talvez por fantasiar uma carreira, mesmo que de forma amadora, como roteirista e desenhista de quadrinhos.” – Francinaldo Santos

Marvel Especial nº 8 – A Saga de Fênix (1989, Abril)


Marvel Especial nº 8 – A Saga de Fênix (Abril) foi publicado em dezembro de 1989, com 132 páginas em formatinho e preço de NCz$ 16,00. ME nº 8 traz quatro histórias concluindo o arco “A Saga da Fênix Negra”
  • “A Filha da Luz e Das Trevas”, com Chris Claremont (roteiro), John Byrne (roteiro e desenho) e Terry Austin (arte-final), saiu em The Uncanny X-Men n° 136 (1980). A Fênix consumiu uma estrela, matando bilhões de vidas. Lilandra, Majestrix Shiar, junto ao conselho galáctico, decide que a Fênix ameaça todo o Universo e deve ser destruída. 
  • “O Destino de Fênix”, com roteiro de John Byrne e Chris Claremont, foi publicada em The Uncanny X-Men n° 137 (1980). Xavier consegue controlar a Fênix Negra e Jean recobra a razão. No Cruzador Imperial de Lilandra, Jean é setenciada à morte pelo terrível crime de Fênix. Os heróis não aceitam a decisão e desafiam a Guarda Imperial de Shiar pela liberdade de Jean que, temendo por seus amigos, se suicida diante de Ciclope. 
  • “Elegia”, Chris Claremont (roteiro), John Byrne (roteiro e desenho) e Terry Austin (arte-final), foi publicada em The Uncanny X-Men n° 138 (1980). Os X-Men prestam suas últimas homenagens à sua amada Jean Grey. Na triste despedida de sua namorada, Ciclope, em seu íntimo, relembra todos os momentos vividos pelos mutantes, desde o primeiro confronto com Magneto até o trágico fim de Fênix. Ao fim da trama, ao mesmo tempo que Ciclope deixa os X-Men, a jovem Kitty Pryde se une ao grupo. 
  • “O Que Aconteceria Se Fênix Não Tivesse Morrido?”, com Mary Jo Duffy (roteiro) e Jerry Bingham (desenho), foi publicada originalmente em What If? n° 27 (1981).

Sandman (1989-1998, Globo)


Sandman (1989-1998, Globo) foi uma série mensal, em formato americano, com 75 edições publicadas entre novembro de 1989 e outubro de 1998. Magistralmente escrita por Neil Gaiman, Sandman (1988-1993, Vertigo) é uma série de quadrinhos britânicos para adultos. Suas histórias descrevem a vida do governante do mundo dos sonhos e sua interação com o universo, os homens e outras criaturas. 

A história é vista pela perspectiva de Sonho, um dos sete perpétuos, a representação antropomórfica do sonho, inicialmente preso por um grupo de humanos que almejava prender sua irmã mais velha Morte para que se tornassem imortais, mas falham e capturam Sonho (também conhecido como Morpheus, Sandman, Oneiros, Lorde Moldador, Kai’Ckul e Senhor do Sonho). Os Perpétuos são manifestações antropomórficas de aspectos comuns a todos os seres vivos: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio. Os sete perpétuos não são deuses, mas sim entidades responsáveis pelo ordenamento da realidade conhecida. 

Sandman, no total, tem treze arcos originais que contam a sua história em 75 números: Prelúdios e Noturnos (01 a 08); A Casa de Bonecas (9 a 16); Terra dos Sonhos (17 a 20); Estação das Brumas (21 a 28); Espelhos Distantes (29 a 31 e 50); Um Jogo de Você (32 a 37); Convergência (38 a 40); Vidas Breves (41 a 49); Fim dos Mundos (51 a 56); Entes Queridos (57 a 69); Despertar (70 a 73); Exílio (74); A Tempestade (75).

Marvel Especial nº 7 – A Saga de Fênix (1989, Abril)


Marvel Especial nº 7 – A Saga de Fênix (Abril) foi publicado em novembro de 1989, com 132 páginas em formatinho e preço de NCz$ 12,00. ME nº 7 republica sete histórias do arco “A Saga da Fênix Negra”, com roteiros de Chris Claremont e John Byrne: 
  • “A Juventude Cobiçada” foi publicada em The Uncanny X-Men n° 129 (1980). X-Men e Clube do Inferno disputam duas novas recrutas: Kitty Pride e Allison Blair (Cristal). Jean Grey fica a mercê da ilusões do Mestre Mental. 
  • “Pesadelos de Cristal” foi publicada em The Uncanny X-Men n° 130 (1980). Os X-Men e Kitty Pryde tentam se libertar do jugo da Rainha Branca do Clube do Inferno, Emma Frost. 
  • “Fuga Alucinada” foi publicada em The Uncanny X-Men n° 131 (1980). Kitty Pryde, Ciclope, Noturno e Cristal conseguem libertar os outros X-Men da Rainha Branca e dos soldados do Clube do Inferno. 
  • “O Inferno Não Pode Esperar” foi publicada em The Uncanny X-Men n° 132 (1980). Jean e Ciclope fazem amor no topo de um planalto, ao pôr do sol. Os X-Men penetram na sede do Clube do Inferno. 
  • “Wolverine à Espreita” foi publicada em The Uncanny X-Men n° 133 (1980). Os X-Men são facilmente derrotados pelo Clube do Inferno e, iludida pelo Mestre Mental, Jean Grey se torna a Rainha Negra do Clube do Inferno. Mas Wolverine lutará sozinho contra todos. 
  • “O Prelúdio da Destruição” foi publicada em The Uncanny X-Men n° 134 (1980). Os X-Men derrotam o Clube do Inferno e quando tudo parecia se encaminhar para o final feliz, Jean Grey se transforma na Fênix Negra! 
  • “Fênix Negra” foi publicada em The Uncanny X-Men n° 135 (1980). A Fênix Negra comete uma tragédia sem precedentes!

Batman em Quadrinhos – Adaptação Oficial do Filme (1989, Abril)


Batman em Quadrinhos – Adaptação Oficial do Filme (Abril) foi publicado em outubro de 1989, com 68 páginas em formato americano e preço de capa NCz$ 15,00. Com história de Sam Hamm e Warren Skaaren, roteiro de Denny O' Neil, arte de Jerry Ordway e cores de Steve Oliff, foi publicada originalmente em Batman: The Official Comic Adaptation of The Warner Bros. Motion Picture (1989, DC Comics)


Batman (1989, Tim Burton), interpretado por Michael Keaton, lida com a ascensão de um gênio do crime conhecido como “o Coringa” (Jack Nicholson). Quando criança, Bruce Wayne presenciou o brutal assassinato de seus pais e jurou proteger e livrar a cidade de Gotham City dos criminosos. Gotham encontra-se sob controle do chefe do crime Carl Grissom (Jack Palance) e, apesar dos esforços do promotor Harvey Dent (Billy Dee Williams) e do comissário James Gordon (Pat Hingle), a polícia local foi tomada pela corrupção. O repórter Alexander Knox (Robert Wuhl) e a sensual fotógrafa Vicki Vale (Kim Basinger) passam a investigar os rumores sobre uma sombria figura vestida de morcego que anda aterrorizando os criminosos da cidade. 

“Quando muitos ainda tinham na lembrança o seriado televisivo da década de 1960, estrelado pelo bonachão Adam West, o sucesso dirigido por Tim Burton mostrou um justiceiro mergulhado na mais profunda escuridão. Batman foi um fenômeno comercial no mundo inteiro e capitalizando em cima do filme, a Abril lançou esta adaptação oficial em quadrinhos. O roteiro é bem direto, e os desenhos com personagens assumindo as feições dos atores são bonitos e funcionais. Perde-se um pouco nas cenas de ação, que enchem os olhos durante o filme, mas passam batidas no gibi.” – Marcos Vinicius de Medeiros (Universo HQ)

V de Vingança (1989-1990, Globo)


V de Vingança (Globo) foi publicado como minissérie em cinco edições, no formato americano (17 x 26 cm), com 68 páginas por edição, saiu entre outubro de 1989 e fevereiro de 1990. Escrita por Alan Moore, com arte de David Lloyd, “V for Vendetta” foi originalmente publicado em 1982 na revista inglesa Warrior. Aqui o “herói” é um homem atormentado pelo passado e com uma visão de mundo bem crítica e politizada. 

O enredo é situado numa realidade em que um partido de índole totalitária ascende ao poder, após uma guerra nuclear. A analogia com o regime fascista é inevitável: o governo tem o controle da mídia, há uma polícia secreta e campos de concentração para minorias raciais e sexuais – à semelhança do que escreveu Hannah Arendt no seu livro “Origens do Totalitarismo”, de 1951. Também vemos na série um sistema de monitoramento mediante o uso de câmeras, nos moldes do livro “1984”, de George Orwell, escrito em 1948. 

A história começa após o fim do conflito político, com os campos de concentração desativados e a população complacente com a situação, até que surge “V” – um anarquista que veste uma máscara estilizada de Guy Fawkes e é possuidor de uma vasta gama de habilidades e recursos. 

“V” inicia uma elaborada campanha para derrubar o Estado, em grande parte inspirada na chamada Conspiração da Pólvora do início do Século XVII, da qual Guy Fawkes participou. No processo, “V” conhece Evey, tratada como aprendiz, sempre sendo apresentada à resquícios de uma cultura perdida por causa da guerra e degradação da sociedade. 

Em 1990, a Editora Globo publicou uma edição encadernada com 340 páginas, em formato americano, colorido e com lombada quadrada. Reunia material publicado em Warrior n° 1 (1982) a n° 26 (1984) e V For Vendetta n° 7 (1989) a n° 10 (1989)

A Editora Via Lettera publicou a série em duas edições, uma em novembro de 1998 e outra em março de 1999, com 140 páginas por edição, formato americano, em preto e branco, lombada quadrada e preço de capa R$ 28,00. A Editora Panini publicou edições especiais em 2006, 2012 e 2016, com 308 páginas, formato americano, colorido e com lombada quadrada. 

Grandes Heróis Marvel nº 25 – Quarteto Fantástico (1989, Abril)


Grandes Heróis Marvel nº 25 – Quarteto Fantástico (Abril), foi publicado em setembro de 1989, com 84 páginas em formatinho e preço de capa NCz$ 3,50. GHM nº 25 merece ser relembrado por mostrar mais um excelente trabalho de John Byrne, agora à frente do Quarteto Fantástico. A grande atração desta fase se deve pelo fato da substituição de Ben Green, o Coisa, pela carismática Jenifer Walters, a Mulher-Hulk. 

A Mulher-Hulk, de personalidade forte, tão poderosa e bem humorada quanto o Coisa, traz uma dinâmica diferente ao Quarteto por ser mais bem resolvida em relação aos seus poderes e aparência – o Coisa sofre com sua aparência e trata seus poderes como uma maldição da qual não consegue se livrar. A revista GHM nº 25 é um mix que traz três histórias publicadas pela editora americana Marvel Comics: 
  • “Feliz Aniversário, Querido!”, com roteiro, desenho, e arte-final de John Byrne, foi publicada originalmente em Fantastic Four n° 271 (1984)
  • “Velho ou Novo Oeste”, com roteiro, desenho, e arte-final de John Byrne, foi publicada originalmente em Fantastic Four n° 272 (1984). O Quarteto viaja ao "velho oeste" de um universo alternativo, procurando o pai do Sr. Fantástico. 
  • “Reencontro”, com roteiro, desenho, e arte-final de John Byrne, foi publicada originalmente em Fantastic Four n° 273 (1984). 21 páginas (das 22 originais). 

Como não admirar o trabalho do mestre “Bráine”? Ele era roteirista, desenhista, arte-finalista, modelo e atriz (risos) e qualquer título que ele pegava era reformulado e se tornava campeão de vendas.

Miracleman (1989-1990, Tannos)


Miracleman (1989-1990, Tannos) trouxe a fase de Alan Moore publicada em quatro volumes, entre setembro de 1989 e junho de 1990, em preto e branco, no formato de 18 x 26 cm. A história foi originalmente publicada em 16 edições de Marvelman (1982-1984) – uma versão sombria do Capitão Marvel – com Garry Leach e Alan Davis como os principais artistas. 

"Achei toda a fase de Alan Moore sensacional, é muito intrigante ver a mitologia do Shazam (como muitos chamavam o Capitão Marvel) de forma adulta e sombria, trocando a magia por ciência e focando nos conflitos psicológicos e de relacionamento das personagens." - Francinaldo.

Em março de 1982, uma nova revista em quadrinhos britânica em preto e branco da editora Quality Communications foi lançada com o título de Warrior. Até a revista #21 (agosto de 1984), o principal herói era uma versão sombria de Marvelman (1954-1963) de Mick Anglo. Quando o personagem foi licenciado para editoras americanas o nome foi mudado para Miracleman

Moore tinha ficado fascinado com a ideia de um Michael Moran adulto e o apresentara assim na primeira revista: casado e sofrendo com dores de cabeça, com sonhos em que pode voar mas incapaz de se lembrar da palavra que daria significado aos mesmos. Desde o princípio das suas histórias do Marvelman, Moore toca em muitos temas que caracterizaria seu trabalho posterior, inclusive o super-herói como fonte de terror, o vilão simpático e a exploração da mitologia de um personagem estabelecido.

Graphic Novel nº 12 – Rocketeer (1989, Abril)


Graphic Novel nº 12 – Rocketeer (Abril) foi publicada em junho de 1989, com 68 páginas, formato de 21 x 27,5 cm e preço de NCz$ 4,50. Foi originalmente publicada em 1982 nos EUA como The Rocketeer, com roteiro e arte de Dave Stevens 

Rocketeer é a identidade secreta de Cliff Secord, um piloto acrobático que descobre uma misteriosa mochila a jato que lhe permite voar. A primeira aparição do personagem foi em 1982, embora seja uma homenagem aos heróis das decadas de 1930 e 1940. A namorada do herói, Betty, é inspirada em Bettie Page. 

Nessa pegada do “pulp”, Dave Stevens traz um personagem que evidentemente faz diversas referências ao Sombra (The Shadow, 1931-1942) que, assim como o Zorro (1919-1944), é considerado inspirador para a criação do Batman.


Baseado nos quadrinhos de Stevens, foi lançado o filme Rocketeer (The Rocketeer, 1991, Joe Johnston), estrelado por Billy Campbell e Jennifer Connelly. O filme recria o ambiente “noir” da cidade de Hollywood no ano de 1938, com seus gângsteres, espiões nazistas e o crescimento da era da aviação. 

Crise Nas Infinitas Terras (1989, Abril)


Crise Nas Infinitas Terras (Abril), publicado como minissérie em três edições, em formatinho, saiu entre maio e julho de 1989. Escrita por Marv Wolfman e desenhada por George Pérez, foi originalmente publicada como Crisis on Infinite Earths (1985-1986, DC Comics), com doze edições.

A história teve fundamental importância por ter eliminado o conceito de Multiverso, que causava muitas confusões entre os leitores a respeito da cronologia dos personagens. O conceito do Multiverso surgiu na história “Flash of Two Worlds” da revista The Flash nº 123 (1961) onde o Flash da Era de Prata (Barry Allen), encontra seu antecessor dos anos 1940, Jay Garrick (conhecido no Brasil como Joel Ciclone). 

A Abril já havia publicado a Crise diluída em vários títulos da editora, entre Os Novos Titãs nº 12 (27 de março de 1987) e Super-Homem nº 37 (3 de julho de 1987)

Graphic Novel nº 8 – O Edifício (1989, Abril)


Graphic Novel nº 8 – O Edifício (Abril) foi publicado em fevereiro de 1989, com 84 páginas, formato de 21 x 27,5 cm, em sépia e branco e preço de capa NCz$ 2,00. Com história e arte de Will Eisner, publicada originalmente em The Building (1987), conta a história de quatro fantasmas cujas vidas foram marcadas por tristezas e desilusões. Entretanto, a personagem principal que une e entrelaça suas histórias é um prédio situado na esquina de uma grande megalópe. 

“O Edifício” retrata a dor e o peso da existência humana por meio das “pequenas coisas” que acontencem no cotidiano. Nas palavras do livro: “Agora sei que estas estruturas, incrustadas de riso e machadas de lágrimas, são mais do que edificações sem vida. Não é possível que, tendo feito parte da vida, eles não absorvam de alguma forma a radiação proveniente da interação humana.” 

Liga da Justiça nº 1 (1989, Abril)


Liga da Justiça nº 1 (Abril) foi publicada em janeiro de 1989, com 84 páginas em formatinho e preço de capa Cz$ 500,00. O título Liga da Justiça (1989-1994, Abril) teve 67 edições publicadas, onde pela primeira vez no país a “Liga da Justiça da América” ganha um título próprio com a tradução correta (a editora Ebal publicou o título como “Justiceiros”). 

O título começa com a fase da “Liga Cômica”, muito elogiada, escrita por Keith Giffen, mostrando um lado mais cômico do grupo, que conta com super-heróis de “segundo escalão”. A Liga da Justiça se expandiu tanto nesta época que existiam três ligas: Liga da Justiça da América, Liga da Justiça Europa e Liga da Justiça Internacional. A revista mix reúne três histórias originais da editora americana DC Comics: 
  • “A Nova Geração”, com argumento de Keith Giffen, roteiro de J.M. Dematteis, desenho de Kevin Maguire e arte-final de Terry Austin, foi publicada em Justice League n° 1 (1987). A Liga está de volta, liderada por Batman e composta por uma mescla de veteranos e novatos, e marcada por atritos entre alguns membros indiciplinados. 
  • “Para Que Haja Um Amanhã”, com roteiro de John Ostrander e desenho de Joe Brozowski, foi publicada em The Fury of Firestorm, The Nuclear Man n° 62 (1987)
  • “Julgamento Pelo Fogo”, com roteiro de John Ostrander e desenho de Luke McDonnell, foi publicada em Suicide Squad n° 2 (1987)



O grande sucesso da Liga veio com as séries animadas Liga da Justiça (Justice League, 2001-2004) e Liga da Justiça Sem Limites (Justice League Unlimited, 2004-2006), exibidas pelo SBT no programa Bom Dia & Cia de 2002 até 2013.






New York - A Grande Cidade (1988, Martins Fontes)


New York - A Grande Cidade (Martins Fontes) foi publicada em 1988, com 148 páginas no formato 21 x 27,5 cm, em preto e branco e lombada quadrada. Com história e arte de Will Eisner, foi originalmente publicada em New York: The Big City (1981) e reúne pequenos contos sobre a vida na cidade grande. 

Will Eisner é um gênio da narrativa gráfica! Suas “graphic novels” são uma aula de como utilizar a linguagem dos quadrinhos de maneira criativa e ousada. A expressividade de seus personagens é tão grande que ele não precisa de texto pra contar uma história. 

"Eisner transforma em temas os espaços da cidade, como escadas, janelas, paredes, metrôs. Esses temas são apresentados ao leitor em forma de histórias curtas, muitas vezes sem texto e com páginas de forte impacto. A capacidade de expressão facial e corporal da arte de Eisner aliada à sua incrível diagramação de páginas são inovadoras mesmo quase 40 anos depois do lançamento do livro." - Lielson Zeni (Universo HQ)


Watchmen (1988-1989, Abril)


Watchmen (Abril) foi publicado numa minissérie em seis edições, entre novembro de 1988 e abril de 1989, com 68 páginas em cada edição, formato americano (17 x 26 cm), colorido, lombada com grampos e preço de capa Cz$ 950,00. Escrita por Alan Moore, com arte de Dave Gibbons e cores de John Higgins, foi publicada originalmente em doze edições mensais pela DC Comics nos Estados Unidos, entre setembro de 1986 e outubro de 1987. 

Moore considerou escrever uma história remodelando os heróis da Charlton Comics, recém adquiridos pela DC, assim como fez com Miracleman em 1982. O editor Dick Giordano foi receptivo ao projeto, mas sem usar os personagens da Charlton, ao invés disso, convenceu Moore a retrabalhar o projeto com personagens inéditos. 

Parece clichê, mas realmente Watchmen ganha mais valor e significado a cada leitura, principalmente para quem viveu o medo de uma catástrofe nuclear em 1985 no contexto da Guerra Fria. Minha primeira leitura foi incompleta, quando comprei a primeira revista da minissérie em seis edições da Editora Abril. Confesso que, na época com 13 anos, não gostei da obra por achar os desenhos feios – não era parecido com John Byrne ou George Pérez (risos) – e com certeza não entendi os problemas éticos e psicológicos dos heróis. Uma blasfêmia, eu sei.

A Abril publicou Watchmen novamente em 1989 (edição encadernada) e 1999 (minissérie em doze edições). A Via Lettera publicou Watchmen em 2005 (minissérie em oito edições). A Panini publicou Watchmen: Edição Definitiva, com 464 páginas, em 2009, 2011 e 2017. Também em 2009, a Panini publicou Watchmen: Especial dividido em duas edições.

Só em 2006, com a versão encadernada de 1989 da Abril, fiz minha segunda leitura de Watchmen. Aí a porra ficou séria! (risos). Finalmente eu seria iluminado pela luz do bruxo Alan Moore. Então vieram várias leituras quando comprei a Edição Definitiva da Panini. Como já havia devorado os livros de Will Eisner e Scott McCloud sobre a linguagem dos quadrinhos, fiquei alucinado com a qualidade do roteiro e da narrativa da melhor história em quadrinhos de super-heróis de todos os tempos.

Relendo Watchmen (com spoilers):
  • Muitos elogiam Watchmen chamando seus enquadramentos de cinematográficos, mas isso é pouco, pois são enquadramentos possíveis apenas nos quadrinhos. Moore e Gibbons “abusam” dos recursos narrativos que só essa mídia pode oferecer. Uma escolha interessante de Moore foi narrar toda a história sem balões de pensamentos e onomatopéias, assim, passando uma sensação maior de verossimilhança com a nossa realidade. As páginas formatadas com nove quadros (nine-grid), muito recorrente em Watchmen, segundo Moore, foram copiadas da obra de Steve Ditko.
  • Logo no primeiro capítulo, Moore nos apresenta o mundo de Watchmen com muita informação visual em cada quadro, intercalando com o texto do diário de Rorscharch. Moore já prende nossa atenção com uma questão bem simples: quem matou o Comediante? Muito satisfatório perceber, apenas em uma página, que a máscara de Rorscharch não é estática, tem manchas em constante movimento.
  • É genial a forma de como informações que parecem banais ou sem importância se tornam relevantes para o entendimento mais adiante na história. Por exemplo, a identidade de Rorscharch, anônima para o leitor, está revelada desde o início, mas só conseguimos perceber bem depois. Mesmo sendo uma pessoa “quebrada”, nos apegamos ao Rorscharch por ele ser uma espécie de narrador.
  • As cores de John Higgins são determinantes para determinarmos o tempo, como exemplo, os tons de vermelho nos flashbacks. O Dr. Manhattan, o único com superpoderes nesse mundo, sempre desenhado e colorido de forma diferente, pois não tem sombras, como se emitisse a própria luz. Notamos muitos fatos nos quadros ocorrendo também em segundo plano.
  • Moore usa a simbologia do “relógio do apocalipse” para nos remeter ao medo real que a sociedade americana tinha de um conflito nuclear. O conto do "Cargueiro Negro", uma metalinguagem do próprio enredo de Watchmen, foi inserido como gibis nesse universo. Moore nos apresenta como é a geopolítica desse mundo em jornais espalhados em diversos quadros da HQ.
  • Ao apresentar o Coruja, percebemos que heróis fantasiados são ilegais, o vigilantismo é punido com prisão. Outra novidade para quadrinhos de super-heróis é mostrar os personagens desnudos, sem pudores, e totalmente naturais dentro da história. Rorscharch, buscando informações sobre o assassinato do Comediante, agride criminosos com extrema violência (tortura) e isso não funciona.
  • Adrian Veidt, o Ozymandias, é um empresário frio, calmo, calculista e o único que não fica desconfortável diante de Rorscharch e não se importa com a morte do Comediante, segundo ele, um nazista.
  • No final dos capítulos, temos textos do livro “Sob o Capuz” escrito por Hollis Mason, o primeiro Coruja, que traz informações sobre a primeira geração de vigilantes e enriquece bastante esse mundo de Watchmen.
Francinaldo Santos.

X-Men nº 1 (1988, Abril)


X-Men nº 1 (Abril) foi publicada em novembro de 1988, com 68 páginas em formatinho e preço Cz$ 250,00. A icônica capa tem um maravilhoso desenho do meu ídolo John Byrne (o “Bráine”) e arte-final de Terry Austin. O título X-Men (1988-2000, Abril) foi um título próprio dos X-Men, em formatinho, iniciado em novembro de 1988, em substituição ao título Heróis da TV (1979-1988, Abril)

A série dos mutantes da Marvel durou 141 números, até ser cancelada em julho de 2000. Cada edição tinha 68 páginas e reuniam três revistas americanas num “mix”, onde a primeira história normalmente era da revista original The Uncanny X-Men (1962-2015, Marvel Comics)

X-Men da Abril demorou para sair, já que os mutantes estavam monopolizando diversos títulosa da editora como SAM, GHM e HTV. Colecionei a revista regularmente até X-Men nº 67 (maio de 1994), depois passei a comprar esporadicamente, talvez por teimosia, pois toda edição que pegava eu achava uma bosta – “Estamos ficando velhos, Magneto!” 

X-Men nº 1 reúne três histórias da editora americana Marvel Comics: 
  • “Decisões”, com roteiro de Chris Claremont e desenho de John Romita Jr, foi publicada originalmente em The Uncanny X-Men n° 176 (1983), com 19 páginas (das 22 originais). 
  • “Livrai-nos do Mal”, com roteiro de Roger Stern e arte de Steve Leialoha, foi publicada originalmente em Doctor Strange n° 62 (1983), com 17 páginas (das 22 originais). 
  • “Quem Ama Não Mata!”, com roteiro e desenho de Mark Gruenwald, foi publicada originalmente em Hawkeye n° 1 (1983), com 23 páginas. 

Graphic Novel nº 5 – Batman: A Piada Mortal (1988, Abril)


Graphic Novel nº 5 – Batman: A Piada Mortal (Abril) foi publicada em setembro de 1988, com 52 páginas em formato americano e preço Cz$ 550,00. Com roteiro de Alan Moore e arte de Brian Bolland, foi originalmente publicada em Batman: The Killing Joke (1988, DC Comics) e conta uma intrigante história na qual o Coringa tenta provar que todos são iguais a ele, bastando apenas ter um dia ruim na vida. HQ que mostra como Batgirl ficou paralítica após um ataque do criminoso. 

Muitos críticos consideram “A Piada Mortal” a história definitiva do Coringa e uma das melhores do Batman em todos os tempos. Ganhou o Prêmio Eisner de “Melhor Álbum Gráfico” em 1989. Uma história impactante e definitiva do surgimento do maior vilão do Cavaleiro das Trevas, o “Palhaço do Crime”, popularmente conhecido como Coringa, marcada pela violência e temas pesados. 

Moore explora a psicologia de Batman, Coringa e do comissário Gordon. Todas as tramas paralelas apresentadas no gibi acabam tendo Gordon como seu referencial e é o comissário que concentra a maioria das perguntas que surgem após a leitura da revista. Afinal de contas, se basta um “dia ruim” para levar a sanidade de uma pessoa, porque o mesmo não aconteceu com Gordon? Porque é que Wayne se transformou no Batman, aquele comediante no Coringa e o Comissário escapou ileso? 

Lendas (1988, Abril)


Lendas (Abril) foi publicada como uma minissérie em 6 edições (em formatinho) entre julho e dezembro de 1988. Escrita por John Ostrander e Len Wein e desenhada por John Byrne, originalmente publicada em Legends (1986, DC Comics), foi a primeira saga da DC logo após “Crise Nas Infinitas Terras”

A saga completa de Lendas, além da minissérie, contava com várias histórias extras (chamadas de tie-in) que foram publicadas em outros títulos DC da Editora Abril: Batman nº 11, Superamigos nº 39 a 43, Super-Homem nº 51 a 53, Os Novos Titãs nº 25 e 26 e Liga da Justiça nº 2 e 4

Basicamente, Darkseid, o senhor de Apokolips, tendo uma conversa com o Vingador Fantasma, advertiu que as lendas da Terra, os super-heróis, não se manteriam perseverantes se a população se voltasse contra eles. Darkseid então elaborou um plano para desacreditar todos os super-heróis da Terra, fazendo o planeta mais vulnerável a uma invasão posterior sua. 

Ele enviou para a Terra um servo dele, o Glorioso Godfrey, que tinha a habilidade de cativar suas vítimas com sua voz. Godfrey disfarçou-se como G. Gordon Godfrey, e elaborou uma extensa campanha publicitária contra os superseres, afirmando que eles só traziam maus exemplos, que incentivavam a violência, que a população não deveria confiar sua segurança a mascarados, e que os supervilões não existiriam se não fossem os heróis. A população revoltou-se contra a comunidade heróica. O Presidente (Ronald Reagan), temendo pânico em alto escala, proibiu por decreto a atividade de superseres durante o episódio.